004 | Eu não sou Libanês

Antes que os meus telefones toquem, antes que o meu whatsapp me notifique que chegou mensagem ou meu e-mail cantarole “chegou mensagem para você”, quero logo de saída te avisar que a história a seguir não trata-se de preconceito ou falta de respeito com um portador de necessidades especiais, pois a história a seguir aconteceu comigo, eu sou o ‘Libanês’ da história e confesso: EU DEI RISADAS DA MINHA PRÓPRIA ‘DESGRAÇA’… Você vai entender…

Em 15 de Novembro de 2017 um fortíssimo AVC e um Enfarto me pegou de ‘jeito’ e dias atrás eu encontrei dentro das Lojas Americanas o paramédico que me socorreu, e a abordagem dele foi inusitada, para mim:

– ‘Vem cá, você é o Léo? Que mora na Vila Planalto?’

– ‘Sim, sou eu, por que?’, perguntei estranhando aquela abordagem.

– ‘É que eu fui o médico socorrista que atendeu a sua ocorrência, e eu achei que você não iria sobreviver’.

Na verdade, nem ele, nem os médicos na Santa Casa de Campo Grande, no Mato grosso do Sul, nem os médicos do HU e nem a minha esposa achavam que eu iria escapar…A bem da verdade, até eu achava que era o fim da linha…

O ‘problema’ dessa história, é que Deus tinha outros planos para a minha vida.

Desse AVC a maior de todas as sequelas foi ter uma voz de Pato Donald… Também ando mancando e estou com pouca força no braço direito, mas a voz…

Realmente eu pareço, as vezes, um turco, árabe ou libanês falando, realmente existe uma semelhança.

E eu consigo rir de minhas próprias desgraças, as vezes acho a minha voz cômica, e em geral, eu estou rindo ou encarnando em alguém 90% do meu dia. Amo, tirar sarro, rir e encarnar em quem está à minha volta.

Vou te contar uma história que resume bem quem sou eu e como vivo no meu dia a dia:

Quando o Brenno nasceu, o meu filho primogênito, o quarto particular do Hospital Ordem Terceira da Penitência na Tijuca, Rio de Janeiro, virou ‘ponto turístico’ e ficou lotado e a minha mulher estava recuperando-se da cesária e não entendia de onde vinha aquele povo todo para ver o filho dela que tinha acabado de nascer… Ela não sabia o motivo… Até agora…rsss

Ela ficava falando: ‘Mas eu não conheço essa gente toda…’

Vou te contar o que eu fiz: Eu imprimi 10 cartazes e espalhei nos elevadores do hospital e na recepção:

Venha Conhecer o Brenno, o herdeiro das minhas camisas do Vasco e da minha camisola rosa de babado branco…’

Coloquei também em todos os andares do hospital, resultado? 250 pessoas visitaram o Brenno naquele dia e quando chegavam no quarto a reação era só uma: gargalhadas.

Quando a Beatriz nasceu, a caçula da turma, no quarto haviam 4 leitos e todos estavam ocupados e fiz daquele quarto o ‘palco do meu stand-up’: Eu, o magrão, o negão e o ‘santão’ (todos pais acompanhando as suas esposas) fizemos daquele quarto uma verdadeira comédia.

Até os dias de hoje (já se passaram dois anos) eu e o magrão e sua esposa a minha doce amiga Mirelle, conversamos todos os dias e já tivemos juntos em muitas festas e churrascos.

E NA VILA ALBA NÃO PODERIA SER DIFERENTE

Eu e minha esposa estávamos procurando um endereço e paramos em uma rua daquele simpático bairro da classe média de Campo Grande, para pedir informações para um casal que estava sentado na frente de sua casa bebendo Tererê:

– ‘Meu amigo boa tarde, você sabe onde fica a rua …’ perguntei com a minha voz sequelada.

Gentilmente aquele homem me disse como chegar naquela rua (ele era muito educado), mas completou assim a frase dele:

– ‘O senhor é turco ou libanês?’

Minha esposa já explodiu numa frenética gargalhada por que não há ninguém para me conhecer melhor do que ela, e inteligente como o ‘mestre’ ela pensou: ‘Lá vem merda‘.

Com um sorriso nos lábios eu respondi assim:

– ‘Não sou turco nem libanês, sou AVECÊS.’

O cidadão não sabia onde enfiar a cara e a esposa dele ficou mais vermelha do que um camarão. Só consegui ouvir ela dizer: ‘Meu Deus do Céu, cala a boca Eduardo’

Rindo e dando gargalhadas, dei partida no carro e fomos embora, e dentro do Corsa estavam rindo sem parar Eu, Ane, Dani, Sarah e até a Bia, que não entendi nada, mas dava gargalhadas só porque estava todo mundo rindo…

(Essa não é uma estória, aconteceu do jeito que eu te contei).

Sabe qual a lição que fica? Faça da sua vida uma comédia e viva a vida com leveza e com paz no coração.

Léo Vilhena
Doutor em Teologia
Especializado em Psicologia Pastoral
Especializado em Bases Doutrinárias
‘Mas eu não sou libanês’.
Texto originalmente escrito em 19/01/2018

admin

Léo Vilhena | Doutor em Teologia | Especializado em Psicologia Pastoral | Especializado em Bases Doutrinárias | Autor de 20 livros publicados | O Blog PPR é um ministério voltado a levar a Mensagem da Cruz, sem falsidades, sem enganos, sem falácias, sem mentiras ou Hipocrisias. Falamos a Verdade com verdade. Levamos o Evangelho a sério.